Vestidas quase como colegiais, quatro dançarinas começam em silêncio, seus suspiros e pontuados baques de percussão. Único som no espaço. Seus corpos ondulam, contração e poesia no chão com unidade fascinante, as sutilezas de seus movimentos exigindo atenção focalizada do público. Concentração é a base. Gestos do cotidiano entram na coreografia. A repetição, um looping incansável, mostra a habilidade delas sobre o palco que com gestos padronizados, mas inspiradores
Em Rosas danst Rosas, a repetição de música e movimento iniciada em Fase é desenvolvida ainda mais. A música de Thierry De Mey e Peter Vermeersch foi criada simultaneamente e em interação com a coreografia. O espetáculo consiste na relação de quatro dançarinos e cinco capítulos cheios de intensa energia física. A direção tomada nesse corpo-máquina é modificada por uma série de movimentos cotidianos, a abstração então, muda para uma série de pequenas e concretas narrativas emocionais em que o espectador se reconhece. Coreografia Anne Teresa De Keersmaeker. Duração 1h40min. Teatro.
Fantasia lírica de Maurice Ravel sobre poema de Colette
A Obra
O início da criação de “O Menino e os Sortilégios” aconteceu lentamente, durante a Primeira Guerra Mundial. A escritora Gabrielle Colette, que havia sido dançarina e mímica, procurou o diretor da Ópera de Paris, Jacques Rouché, e propôs a ele o que, inicialmente, deveria ser um “balé para minha filha”. Ravel, que havia recusado o convite para compor a música, acabou não resistindo à sedução daquela história fantástica: um menino, que luta contra uma invencível preguiça diante de seus deveres e que só tem vontade de fazer o que é proibido, enfrenta a revolta de bichos e objetos animados, que se unem contra sua maldade. Ao final, ele se redime de suas ações, no que pode ser interpretado como uma metáfora da passagem da infância para o amadurecimento.
Ravel tinha verdadeira adoração por pequenos autômatos e miniaturas, que se espalhavam por sua casa de Monfort-L’Amaury. Conta-se que um de seus maiores prazeres era fazer esses bibelôs animados funcionarem para algum visitante interessado. Pois, alguns deles acabaram se tornando personagens de “O Menino e os Sortilégios “ como, por exemplo, um pequeno rouxinol cantor. A estreia aconteceu em 1925, em Monte Carlo, sob a regência do maestro Victor de Sabata e coreografia do grande mestre George Balanchine. A obra toda é impregnada de uma requintada atmosfera de lirismo e humor. Nunca antes o canto esteve tão associado à dança, que por sua vez nasce da própria ação teatral. O público foi seduzido desde a primeira noite por essa espantosa fantasia lírica, confirmando a opinião do crítico e compositor Roland Manuel: “Uma obra-prima não deve necessariamente ser escrita em 6 atos e para uma grande orquestra que toca forte o tempo todo”.
A Orquestra Experimental de Repertório estreia, em 12 de outubro, Dia da Criança, a primeira encenação na história do Theatro Municipal de São Paulo da Fantasia Lírica O Menino e os Sortilégios (L’Enfant et les Sortilèges), de Maurice Ravel, sobre poema de Colette. Realizada anteriormente apenas em forma de concerto, o espetáculo se insere nas comemorações do Centenário do Theatro Municipal de São Paulo.
Da produção, além da OER (Maestro Jamil Maluf, regente e diretor musical do espetáculo) participam os Corais Paulistano (Tiago Pinheiro, regente) e Infanto-Juvenil da Escola de Música de São Paulo (Alcione Ribeiro, regente), bem como os bailarinos do Balé Jovem de São Paulo, da Escola de Dança de São Paulo, e os atores da Cia. Imago nesse espetáculo cantado em português com uma hora de duração.
Para a Direção Cênica foi convidada Lívia Sabag, diretora da elogiada montagem da ópera “Amelia al Ballo”, de Menotti, para a OER; e para os cenários, figurinos e efeitos de teatro negro da Cia. Imago, Fernando Anhê, um dos grandes responsáveis pelo sucesso da produção da ópera “João e Maria”, de Humperdinck, também para a OER. A criação da coreografia é de Luiz Fernando Bongiovanni, profissional com reconhecida experiência internacional.
Com seus vinte e um papéis distribuídos por oito solistas, dois corais, atores, bailarinos, largo efetivo orquestral, além da grande quantidade de efeitos especiais, inerentes ao próprio libreto, a produção de O Menino e os Sortilégios representa um grande desafio musical e cênico. O Mto. Jamil Maluf, realizou uma detalhada busca por vozes e tipos físicos que mais se adequassem à essa história fantástica, formando um elenco composto por alguns dos mais destacados cantores brasileiros, encabeçados por Denise de Freitas, no papel do Menino.
O Menino e os Sortilégios – “L’Enfant et les Sortilèges” -
Local: Theatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, s/n° – Bilheteria: 11.3397-0327 – www.teatromunicipal.sp.gov.br)
Datas: 12, 13, 15 e 16 de outubro, quarta a domingo
Horários: quarta-feira, às 17h; quinta-feira, às 21h; sábado, às 20h e domingo, às 17h.
“Uma flauta mágica”, montagem livremente construída pelo inglês Peter Brook
Adaptada da ópera de Mozart, Uma flauta mágica, que foi montada por Brook, é mostrada de forma despojada de adereços e efeitos cênicos. Brook é considerado um dos maiores nomes da atualidade do teatro mundial. A encenação está leve e minimalista o que não compromete a magia e ternura da obra. Houve a redução no tempo da ópera, sem que ocorre-se perdas.
Ficha técnica
De Wolfgang Amadeus Mozart (libreto alemão de Emanuel Schikaneder)
Adaptação: Peter Brook, Franck Krawczyk e Marie-Hélène Estienne
Encenação: Peter Brook
Iluminação: Philippe Vialatte
Piano (em alternância): Franck Krawczyk e Matan Porat
Gerente de palco: Arthur Franc
Consultor artístico: Christophe Capacci
Trabalho corporal: Marcello Magni
Mestre de canto: Véronique Dietschy
Magia: Célio Amino
Figurinista: Hélène Patarot e Oria Puppo
Elenco (em alternância):
Tamino: Antonio Figueroa e Adrian Strooper
Pamina: Agnieszka Slawinska eJeanne Zaepffel
Rainha da Noite: Leïla Benhamza e Malia Bendi-Merad
Papagena: Betsabée Haas e Dima Bawab
Papageno: Virgile Frannais e Thomas Dolié
Sarastro: Patrick Bolleire e Luc Bertin-Hugault
Monostatos: Jean-Christophe Born e Raphaël Brémard
Comediantes: William Nadylam e Abdou Ouologuem
Uma flauta mágica
Espetáculo de Peter Brook
* diálogos com legendas em português
Quatro de minutos de abertura, a peça dedica, sem interrupção e sem qualquer outro elemento que disperse a atenção do público, à música “Rag and Bone” de The White Stripes.
O cenário de “Trilhas Sonoras de Amor Perdidas” é tomado por vinis (“Screamadelica”, “Bringing It All Back Home”, “Automatic”, “Southpaw Grammar”, “MTV Unplugged in New York”, “Chelsea Girl” e muitos outros) e caixas de som.
Ambientada nos anos 80 e 90, a peça recria o contexto cultural daqueles anos em que o protagonista conheceu, se relacionou e casou com Soninho – um casamento feito de afetos e afinidades musicais, registradas e listadas em incontáveis mixtapes (de coletâneas para escovar os dentes a seleções para o rala-e-rola) e que terminou estúpida e abruptamente por uma embolia pulmonar. Desde a primeira cena, em que o personagem abre uma caixa com as antigas fitas cassete, o texto conjuga nostalgia, luto e reparação. O conjunto de referências sonoras define as relações de identidade deste universo e o roteiro se vale das passagens musicais para contar essa história. O repertório cultural do personagem se confunde entre as lembranças da finada Soninho: a morte da esposa marca também a mudança do cenário musical.
Essa peça possui trilha sonora de várias histórias de amor (que por vezes podia ser minha ou sua). De “Don’t Get Me Wrong” a “Heart Shaped Box”. De “Sadly Beautiful” a “Just Like Heaven”. De “Beast of Burden” a “So Real”. De “Midnight Train to Georgia” a “Ladies and Gentleman, We’re Floating in Space” e “Soul on Fire”.
A Galinha Degolada conta a história do casal Mazzini-Ferraz e seus quatro filhos idiotas. Portadores de uma doença mental incurável, os meninos sofrem todas as consequências da falta de amor entre os pais. Passado certo tempo, nasce uma menina, que não é acometida pela mesma doença, mas que acaba revelando o verdadeiro sentido da falta de cuidados e amor do casal. Baseado no clássico homônimo do escritor uruguaio Horácio Quiroga e dirigido por Jefferson Bittencourt, A Galinha Degolada é uma obra delicada que mostra como a falta de amor pode gerar situações trágicas e sem retorno.
O grupo que encena este espetáculo, o Persona Companhia de Teatro, foi fundado em 2001, em Florianópolis. Com um repertório de peças que buscam sempre questionamentos mais profundos sobre a existência humana, o grupo vem recebendo elogios do público e da crítica especializada no Brasil e no exterior.
Existe no silêncio tão
profunda sabedoria
que às vezes ele se
transforma na mais
perfeita resposta.
O espetáculo é como um telejornal das notícias que nunca chegam ao telejornal. O que vemos, quando assistimos às notícias, à noite, num canal de televisão? Uma proposta da realidade. Uma redação de jornalistas diz-nos o que é importante no espaço/ tempo de um dia. E diz-nos que aquela é a realidade de que fazemos parte. E quantas outras realidades, mais particulares, estão escondidas sob os fatos transformados em notícia?
Com o Coletivo Mundo Perfeito. Espetáculo realizado em parceria com o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto/ Mirada- Ocupação Portugal.
A peça “Thom Pain / Lady Grey” é formada por monólogos escritos por Will Eno (‘Thom Pain – Baseado em Nada’ e ‘Lady Grey – Em Luz Cada Vez Mais Baixa’). A montagem apresenta um homem que reflete sobre o fim de um amor em frente a uma plateia. Além disso, apresenta uma mulher que tenta mostrar ao público algo que a represente depois do abandono.
Teatro
Cia Hiato
Direção: Leonardo Moreira
Vídeo: Otávio Dantas
Trilha: Marcelo Pellegrini
1938: Thiago e Fernanda acabam de comprar uma casa, mas estão se separando. 1979: Thiago é levado para o asilo por suas duas filhas, Luciana e Mariah Amélia. 2011: Aline, filha de Mariah Amélia, e sua empregada, Paula, observam a casa – agora vazia.
As cenas acontecem simultaneamente e em círculo, e a sequência depende da posição em que o espectador se senta na plateia. A montagem partiu [processo que teve início em março do ano passado] das próprias histórias do elenco. Durante a pesquisa, cada ator passava até oito horas recontando sua vida, mostrando fotos e vídeos. Com base nos relatos, foi criado o texto.
O JARDIM. Sesc Belenzinho: R. Padre Adelino, 1.000, t Belém, tel. 2076-9700. De 27/5 a 3/7: sex. e sáb. 21h30; dom. 18h30. Duração: 90 min. Classificação: 16 anos.
A peça Navalha na Carne é mais que gírias, é um retrato da violência das relações humanas. Personagens que entrelaçam chantagem, autopiedade, sedução e humilhação. Assisti duas montagens diferentes. A primeira, anos atrás com o trio Gero Camilo, Paula Cohen e Gustavo Machado. A segunda com Rogério Barros, Marta Paret e Rubens Queiroz. Veludo, para mim, é Gero Camilo [inesquecível]. Mesmo assim, vale a pena ver.
De Plínio Marcos. Esta montagem recria os conflitos de interesse, a fragilidade psicológica e a confusão de sentimentos da relação de um cafetão e uma prostituta, além da atmosfera violenta de uma zona marginal. Inicialmente este espetáculo recusou o palco, e então cumpriu duas temporadas dentro de quartos de hotel de alta rotatividade no centro do Rio de Janeiro. Em São Paulo é realizado pela primeira vez em um pequeno palco, mas manterá a proposta de realçar a contundência da obra de Plínio Marcos e aproximar demasiadamente o espectador de uma realidade miserável nos aspectos afetivo e econômico. Direção de Rubens Camelo. Com Marta Paret, Rogério Barros e Rubens Queiroz (RJ). No Espaço Cênico.
SESC Pompeia
05/05 a 11/06.
De quinta a sábado, 21h30.